Vivendo nas nuvens

2009/02/12 — 2 Comentários

Nuvens

Já passa da hora de atualizar este blog e hoje baixou a vontade de escrever sobre a grande e onipresente nuvem computacional que anda nos rodeando há algum tempo.

Há muitos anos ouvimos falar em projetos mirabolantes de transpor nossos dados digitais para a web, acabando com a necessidade de computadores poderosos rodando software proprietário. Só precisaríamos de terminais conectados à grande rede para ter acesso a programas sempre atualizados e à nossa sempre crescente coleção de dados variados.

Em uma época quando a banda larga era apenas um sonho, essa conversa soava mais como um conto de ficção. Até a virada do milênio, praticamente ninguém considerava seriamente a possibilidade de largar suas informações nas correntezas da Internet. Entretanto, como sempre acontece, as coisas mudaram radicalmente e, hoje, muita gente já vive nas nuvens e nem percebe…

Em termos práticos, a mudança veio com a chegada do webmail, em meados dos anos 90, mais precisamente em 1995 quando o indiano Sabeer Bhatia e o americano Jack Smith, ex-funcionários da Apple, se juntaram para trabalhar em novas idéias para a Internet. A partir do conceito de um banco de dados baseado na web batizado de Javasoft, os dois desenvolveram o primeiro serviço de webmail, o HoTMaiL (a grafia destacava a sigla HTML, deixando claro o fato de ser um serviço para ser usado em um navegador).

O sucesso foi instantâneo e logo após o lançamento comercial em julho de 1996, milhões de pessoas passaram a manter suas mensagens nos servidores do HoTMaiL (em dezembro de 1997, o número de contas chegava a 8,5 milhões). Para esses usuários, acabava ali a necessidade de manter um cliente de email instalado em seu computador, suas mensagens estavam disponíveis em qualquer máquina que estivesse conectada à web.

O HoTMail original não existe mais. Comprado no final de 1997 pela Microsoft, ele foi integrado à rede de serviços da Microsoft Network (MSN) e sofreu mudanças radicais com o passar dos anos. Hoje, conhecido como Windows Live Hotmail, o serviço conta com cerca de 300 milhões de usuários.

O HoTMaiL foi apenas um dos primeiros passos concretos para a levar a nuvem à vida diária das pessoas. Vários outros serviços surgiram a seguir, mas nenhum foi tão influente quando o GMail. Lançado experimentalmente pelo Google como um beta fechado em abril de 2004, o serviço foi o pioneiro a oferecer um amplo espaço para o armazenamento de mensagens. Enquanto os serviços concorrentes ofereciam no máximo 15 MB, o GMail iniciou suas operações oferecendo o inimaginável limite de 1 GB.

gmail-logoMas os desenvolvedores do Google não revolucionaram o webmail apenas com a oferta de um amplo espaço de armazenamento. Pioneiro no uso de técnicas Ajax de desenvolvimento, o GMail oferecia uma interface diferente de tudo o que os usuários estavam acosutmados a ver nos serviços concorrentes. Seu uso se assemelhava mais a um software local do que a um website, com menus abertos instantaneamente, mensagens exibidas rapidamente e com o uso inovador de classificação por tags no lugar das pastas convencionais, facilitando a busca por conteúdo específico no meio de um universo interminável de mensagens.

Hoje o GMail é mundialmente conhecido como o padrão de correio eletrônico e é cada vez mais difícil encontrar usuários que não possuam ao menos uma conta no serviço. Entretanto, o webmail foi apenas a pontapé inicial para a massificação da nuvem.

Com o aumento da velocidade de conexão à Internet, arquivos cada vez maiores passaram a ser transmitidos, o que levou à criação de serviços de hospedagem de arquivos para facilitar a troca entre usuários. Temos hoje à nossa disposição várias opções não apenas para a troca de arquivos, como o YouSendIt, mas para o armazenamento a longo prazo em verdadeiros HDs virtuais, como o DropBox e o novo Windows Live Mesh.

Mas alguns desses serviços vão além do simples armazenamento, oferecendo a possibilidade de sincronização de dados. Na prática, isso significa que o usuário não precisa apenas manter seus arquivos online, ele pode trabalhar de forma mais eficiente em cópias locais que serão sincronizadas automaticamente com as versões salvas na nuvem. Assim, é possível iniciar um trabalho no computador de casa e continuar trabalhando no mesmo arquivo mais tarde, no escritório, por exemplo. Os dados estarão sempre sincronizados graças à conexão constante com o serviço online. Caso o usuário precise acessar seus arquivos a partir de um computador público, o acesso via navegador é sempre uma opção disponível.

mobileme

Tela de login do MobileMe (Apple)

E não são apenas os dados salvos em arquivos que hoje ficam disponíveis online e que podem ser sincronizados. Informações pessoais, como nossos contatos, calendários e anotações também contam com excelentes serviços de compartilhamento e sincronização. Serviços como o MobileMe da Apple (voltado para uso pessoal) e o Microsoft Exchange (para uso corporativo) são cada vez mais usados por quem precisa ter acesso não apenas às suas mensagens, mas a toda uma gama de dados pessoais a qualquer momento.

Neste novo cenário, acabamos perdendo a noção de onde estão nossas informações. Colecionamos contas em diversos serviços, dividimos nossos contatos entre Facebook, Live Messenger e MobileMe, compartilhamos fotos através do Flicker e vídeos através do YouTube. Mantemos artigos em nossos blogs, divulgamos nossos podcasts via RSS e participamos ativamente de discussões em grupo nos fóruns online. Quanto mais nos deixamos envolver pela nuvem, menos controle temos na organização de todos esses dados. Não precisamos mais de nossos computadores para manter nossas informações, agora dependemos deles para encontrá-las.

Não está longe o momento quando não precisaremos mais nos preocupar com a localização física de nossos arquivos. Hoje em dia, nossos sistemas operacionais já são bem eficientes na busca de informações armazenadas localmente graças aos métodos de indexação dinâmica de todos os dados que entram na máquina. O próximo passo é a busca inteligente dos dados espalhados pela nuvem, conceito explorado no recém apresentado Pré, o smartphone da Palm baseado no novo sistema operacional da empresa, o WebOS, com lançamento previsto para meados deste ano nos EUA.

Através de um sistema batizado de Synergy, o usuário do Pré tem acesso aos seus calendários do Outlook, Google Calendar e FaceBook em uma única interface. O mesmo vale para os dados de seus contatos, ao buscar por uma determinada pessoa na agenda, o Pré junta em uma só tela as informações disponibilizadas em diversos serviços online.

sync-48x48No início desta semana, o Google apresentou o GoogleSync, serviço para sincronização de contatos e calendários armazenados nos servicos da empresa com celulares e smartphones. Compatível com iPhone, BlackBerry, Nokia (S40 e S60), Sony Ericsson e Windows Mobile, o serviço mantém os dados sincronizados sem que o usuário precise se preocupar se está alterando ou incluindo alguma informação a partir de seu telefone ou de qualquer computador conectado.

Mas eu não poderia fechar este artigo sem comentar os aplicativos disponíveis para uso direto no navegador. Hoje, temos à nossa disposição uma gama bastante variada de programas online, como o Google Docs, provavelmente a mais conhecida suite de aplicativos disponível na Internet. Através do Google Docs, o usuário não apenas cria e manipula seus documentos de texto, planilhas e apresentações, mas também pode compartilhá-los com qualquer outro usuário do serviço. Muitas empresas estão subsituindo o Microsoft Office pelo Google Docs, o que levou a Microsoft a apresentar o Office Live Workspace, um serviço para compartilhamento de documentos criados no Microsoft Office. E, para não ficar para trás, a Apple também está lançando o seu sistema de compartilhamento de documentos criados em sua suite de aplicativos para escritório, o iWork.com, disponível para os usuários da versão 2009 do iWork.

Como nem só de Office vive o ser humano, outras empresas começam a explorar outros mercados, como é o caso do site Aviary.com. Lá, encontramos programas de ilustração vetorial (Raven) e de tratamento de imagens (Phoenix) bem competentes. Eles ainda estão longe de editores conhecidos como o Adobe Illustrator e Adobe Photoshop, mas uma rápida olhada nas galerias de exemplos deixa claro o potencial desses programas.

Ilustração feita no Raven

Ilustração feita no Raven

Para quem quer viver nas nuvens, as opções não são poucas e a praticidade oferecida por esses serviços não passa despercebida. Mas é melhor não confiar 100% neles, ainda não há nada como um bom backup em algum tipo de mídia que podemos tocar. Afinal, se algum problema sério ocorre com a nuvem, veremos nossos dados virar fumaça em um piscar de olhos…

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2 Respostas para Vivendo nas nuvens

  1. 

    Agora só falta baratearem o custo “dos tubos da Internet” e principalmente, que estes estejam disponíveis “anywhere, anytime”. Wi-Fi é uma falácia, não é mobilidade de verdade. Mobilidade é Internet 3G em um celular que sirva de wireless router para dispositivos próximos (tais softwares existem para Windows Mobile e SymbianOS aliás) ou ainda “citywide WiMax” (um dia?). Quanto ao cloud computing, é fato. Basta ver a morte do conceito de PDA, o seu oposto, que é a idéia de carregarmos as informações conosco. Cloud computing é ACESSAR informação a qualquer momento, em qualquer lugar. Talvez possamos interpretar de outra forma, e dizermos que os PDAs foram na verdade “precursores” desta onda atual. Nossos PDAs subiram no telhado, e de lá foram pras nuvens.

Trackbacks e Pingbacks:

  1. Backup dos dados de seu celular: mande tudo para a nuvem « Indistinguível da Magia - julho 27, 2009

    […] Hoje, prefiro usar os serviços de sincronia de dados online e já comentei sobre alguns deles no meu artigo sobre computação em nuvem. Como normalmente uso três plataformas diferentes, acabo por usar três serviços distintos. […]

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