Symbian: líder absoluto (Parte 1/3)

2009/03/13 — 1 Comentário

Neste artigo (o primeiro de três), vou fugir um pouco do universo do iPhone para escrever sobre a história do mais popular sistema operacional para smartphones, o Symbian. Nos artigos seguintes, tratarei das diferentes interfaces com o usuário e, finalmente de suas principais aplicações.

Não temos como ignorar a importância desta plataforma, responsável, em 2008, por cerca de 46% do mercado mundial de smartphones. E para entender como ela chegou a essa posição, tentarei resumir um pouco de sua história.

Oficialmente, o nome Symbian surgiu em 1998, como uma empresa pertencente à Nokia, Ericsson, Motorola e Psion. Nokia e Motorola até hoje são grandes marcas no universo dos celulares, assim como a Ericsson, hoje em parceria com a Sony na empresa que todos conhecemos como Sony Ericsson (uma joint venture formada em 2001 para a produção de celulares e smartphones). Mas quem é essa tal de Psion?

Origens: A Psion

psionlogo1Sei que muitos de vocês ainda se recordam da Psion e de seus interessantes PDAs. Fundada em 1980, ela era uma empresa de software especializada em desenvolvimento para as plataformas ZX81 e ZX Spectrum da Sinclair Research, que aqui no Brasil ficaram conhecidas graças a micros como o TK85 e o TK90x fabricados pela Microdigital. Em 1983, o presidente da Sinclair, Sir Clive Sinclair, encomendou o desenvolvimento de uma série de aplicativos para escritório para seu próximo lançamento, o Sinclair QL, que chegaria ao mercado no ano seguinte.

Psion Organiser - 1984

Psion Organiser - 1984

Com uma boa experiência no ramo de software, a Psion sentia-se segura para lançar sua própria linha de hardware. Assim, ainda em 1984, ela apresenta o Psion Organiser, um dos primeiros computadores handheld do mundo. Baseado em um processador Hitachi 6301 de 8 bits e com míseros 2KB de memória RAM, o Organiser oferecia poucos aplicativos: banco de dados, calculadora e alarme. Não havia um sistema operacional e sua tela LCD monocromática só podia exibir uma linha de texto por vez. Entretanto, seus usuários podiam expandir a memória de seus equipamentos através do uso de DATAPAKs, cartuchos EPROM que só podiam ser apagados através da exposição a raios ultravioleta, o que os tornava pouco práticos.

Em 1986 o Psion Organiser sofreu uma importante atualização com o lançamento do Psion Organiser II. Além de melhorias no hardware, como uma nova tela LCD com suporte a duas linhas de texto, 8K ou 16K de memória RAM e um teclado mais eficiente, o Organiser II trazia também um sistema operacional básico, mas funcional. Com os novos recursos, o novo modelo podia executar um número consideravelmente maior de aplicativos e também permitia a programação em OPL (Organiser Programming Language), uma linguagem similar ao BASIC que deu origem a um grande mercado de desenvolvimento de software para a plataforma. O sucesso foi imediato. Com seu tamanho reduzido e relativa flexibilidade, o Psion Organiser II tornou-se um ótimo equipamento para coleta de informações em campo, sendo usado tanto por funcionários de lojas de departamento quanto por funcionários do governo britânico.

Psion MC400 - 1989

Psion MC400 - 1989

Entretanto, a linha Organiser ainda não rodava nada similar ao Symbian. Mas com a experiência adquirida com a produção destes equipamentos, a Psion estava pronta para lançar sua primeira família de handhelds de 16 bits, a família SIBO (Sixteen Bit Organisers), originalmente representados pelos modelos MC200, MC400 e MC600. No coração desses equipamentos havia um microprocessador 80C86 (compatível com o Intel 8086), o que permitia ao modelo MC600 ser vendido com o MS-DOS 3.2 pré-instalado. Mas eram nos modelos MC200 e MC400 que estava o embrião do Symbian: a primeira versão de um sistema operacional de 16 bits chamado EPOC.

epoclogoApesar do fracasso da linha MC (os modelos não eram muito portáteis, tinham um tamanho similar aos netbooks de hoje), o EPOC foi o sistema usado na família sucessora, a Series 3, lançada em 1991 e que permaneceu no mercado até 1998, com a introdução do modelo Series 3mx (nesta época, o sistema era conhecido como EPOC16). Com tamanho reduzido e graças à simplicidade de sua interface gráfica, os PDAs Series 3 fizeram grande sucesso, sobretudo no mercado britânico.

EPOC no Psion Series 3

EPOC no Psion Series 3

Em 1997, um ano antes do fim da Series 3, a Psion introduziu a Series 5. Sua maior diferença estava em seu hardware de 32 bits (beseado em um processador ARM710T, para o qual um novo sistema operacional foi desenvolvido. O mundo conhecia o EPOC32. Apesar da semelhança nos nomes, o EPOC16 e o EPOC32 eram sistemas totalmente diferentes. Suas interfaces eram similares, mas o EPOC32 foi totalmente desenvolvido em C++, o que lhe conferia um desempenho muito superior.

Psion Series 5mx

Psion Series 5mx

Apesar de sua excelente qualidade, os modelos da Series 5 enfrentariam um grande desafio: produtos mais baratos da concorrência. No final dos anos 90, os primeiros modelos da Palm (PalmPilot 1000 e 5000) começavam a conquistar espaço e a Microsoft apresentava a versão móvel de seu sistema operacional, o Windows CE (que mais tarde evoluiria para o Windows Mobile). Para enfrentar esse novo mercado, a Psion considerou licenciar o EPOC para outros fabricantes através de uma nova divisão da empresa, a Psion Software.

Nascimento do Symbian

Em 1998, mudanças mais radicais começaram a ocorrer. Em junho daquele ano, a Psion Software juntou-se com a Ericsson, Motorola e Nokia em uma joint venture batizada de Symbian, que se tornaria a responsável pelo desenvolvimento do EPOC dali em diante. Em 1999 a nova empresa lançou seu primeiro produto, o EPOC Release 5 (apelidado extra oficialmente de Symbian OS 5.0), utilizado em equipamentos como o Psion Series 5mx (último produto da Series 5), Psion Series 7 e Psion Revo.

EPOC Release 5 rodando em um Psion Revo

EPOC Release 5 rodando em um Psion Revo

symbianv6logoEm junho de 2000, uma nova versão do EPOC é lançada, a Release 6, oficialmente rebatizada de Symbian OS 6.0. O caminho estava aberto para que as empresas licenciadas lançassem seus produtos baseados na nova plataforma, colocando um ponto final na era de exclusividade da Psion. Assim, também em 2000, a Ericsson apresentou o primeiro celular rodando Symbian, o modelo R380, precursor dos smartphones que seriam lançados pela Sony Ericsson no futuro.

Ericsson R380

Ericsson R380

O Ericsson R380 era um celular poderoso, dotado de uma tela monocromática sensível ao toque (manipulada por uma stylus que acompanhava o produto) coberta por um flip e com uma interface gráfica sofisticada. Entretanto, ele apresentava uma grande limitação: não permitia a instalação de software adicional, algo imprescindível nos smartphones de hoje.

O primeiro smartphone Symbian aberto para a instalação de aplicativos só chegaria ao mercado no ano seguinte. Em maio de 2001, a Nokia apresentou o modelo 9210, que representou um salto qualitativo imenso em seu portfolio de equipamentos. O Nokia 9210 possuia uma ampla tela colorida, teclado qwerty, aplicativos de escritório (editor de texto, planilha eletrônica, visualizador de apresentações, gerenciador de arquivos, agenda e calendário) e navegador WAP/HTML. Foi um dos poucos smartphones da Nokia a rodar a interface S80 (mais sobre isso no próximo artigo) e tornou-se um grande sucesso no mercado empresarial.

Nokia 9210

Nokia 9210

Nokia 7650

Nokia 7650

Gradativamente, o Symbian OS tornava-se mais robusto, poderoso e compatível com um número crescente de equipamentos. Em junho de 2001, a Nokia deu um importante passo na evolução da plataforma com o lançamento do modelo 7650, um smartphone no formato slider extremamente poderoso. Ele trazia a versão 6.1 do sistema, câmera fotográfica integrada (VGA), processador ARM9 de 32 bits (104 MHz), 4 MB de memória e, o mais imortante, a primeira versão da interface S60, desenvolvida especificamente para smartphones de tamanho reduzido e que hoje é a mais usada no universo Symbian. O Nokia 7650 foi muito bem recebido tanto pelo mercado quanto pela imprensa, tornando-se o modelo que serviria de base para a maior parte dos futuros smartphones da empresa, incluindo a mundialmente reconhecida NSeries.

No próximo artigo, vamos conversar sobre a evolução do Symbian a partir da versão 7.0, com foco em uma de suas principais interfaces, a UIQ. Até lá!

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  1. Symbian: líder absoluto (Parte 2/3) « Indistinguível da Magia - maio 7, 2009

    […] líder absoluto (Parte 2/3) No artigo anterior sobre o Symbian, vimos seu surgimento como sistema operacional usado em PDAs e sua evolução até se tornar o […]

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